quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O Poder da Fé

É bom ver que as pessoas estão em busca do aconchego espiritual. Ter alguém em quem confiar é sempre gratificante. Se todos levassem as palavras contidas na Bíblia a sério, nossa sociedade com certeza estaria mais civilizada, mas não é isso que me levou a desenvolver este post. Atualmente, fundar igrejas tem sido um eficiente exemplo de empreendorismo. Qualquer pessoa pode abrir uma igreja. No subúrbio de Salvador encontram-se um bom número de pequenas igrejas. Será que no futuro elas estarão com a mesma estrutura da Universal, Renascer ou Internacional da Graça? É melhor não duvidar.
Religião é um assunto delicado. Muitas pessoas que vão nestes locais têm o objetivo de entrar em contato com Deus, encontrar paz; outras entram muito fragilizadas por algum motivo e estas podem ser facilmente iludidas com pessoas maliciosas. Originalmente, igrejas são entidades sem fins lucrativos e por isso não pagam impostos. Está na hora de acabar com isso.
A Igreja Universal do Reino de Deus já extrapolou os limites e pode sim ser chamada de empresa. Utilizam a palavra de Deus para conseguir dinheiro dos fiéis, ou seriam clientes? Qualquer membro da IURD deve se lembrar das promessas de uma rede de TV apenas com o único intuito de transmitir os ensinamentos bíblicos. Após conseguirem o dinheiro, após a compra da Record, o que temos é apenas uma duplicata da Globo, uma cópia malfeita. As discordâncias Globo x IURD não são de hoje. Agora a batalha ganhou novas dimensões, agora a briga é pela audiência. Além da Rede Record, o Bispo Macedo promete planos ambiciosos. Ele pretende construir uma réplica do Templo de Salomão em São Paulo, muitas pedras vindas de Israel serão utilizadas, haverá um estacionamento com mais de mil vagas e os gastos se aproximam dos R$ 200 milhões. Qual o objetivo de ostentar tanta riqueza? A igreja Universal consegue mobilizar milhares de fiéis que não buscam apenas conforto espiritual, mas que também desejam muito riqueza material. Não consigo me lembrar em que parte da bíblia diz, que é tão importante possuir muitos bens. Quem encontrar por favor poste um comentário.
A Band leva ao ar de segunda a sexta o programa Show da Fé da Igreja Internacional da Graça de Deus. Gostaria de salientar que não sou contra o crescimento nem a exposição de nenhuma dessas instituições, mas abomino certas práticas. Ontem me deparei com o líder da referida igreja conhecido como R.R. Soares. Ele se aproveitou do horário para fazer propaganda em nome de Deus. Ele estava anunciando o serviço de TV por assinatura NOSSATV que pertence a igreja. Os argumentos utilizados por ele para convencer o consumidor foram tristes. Segundo R.R. Soares, os filhos de Deus, precisam fugir da "sujeira" que cobre a TV aberta. Na NOSSATV os programas foram escolhidos com cuidado para não machucar os valores cristãos. Esta maneira de vender um produto, associá-lo a Deus como justificativa, é um insulto para mim.
Da igreja que é sem fins lucrativos, surgem empresas fortíssimas que somam altas quantias em dinheiro. Na minha humilde opinião, a partir do momento que uma instituição religiosa passa a integrar ou construir empresas, a igreja então deverá ser tratada como tal e pagar todos os impostos. A Fé não pode ser utilizada como moeda de troca, ela não é uma mercadoria.


segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Centenário

Neste ano um dos principais clubes brasileiros completa 100 anos de história. O Corinthians está em festa, possui vários títulos em sua longa trajetória, está com uma equipe competitiva para o brasileirão, atualmente ocupando a segunda colocação, apenas 3 pontos o separam do líder, possui uma torcida FIEL e pode se orgulhar também do controle sobre a mídia brasileira. É inegável a importância do Corinthians para o nosso futebol, é um clube de tradição e também devo dizer, o melhor em marketing. Possui no elenco "astros" como Ronaldo e Roberto Carlos, participa de vários esportes, atualmente destaque no automobilismo com equipes na Stock Car, Fórmula Truck e Fórmula Super Liga. O clube pretende em alguns anos ter o melhor CT do Brasil, com o mesmo nível dos clubes europeus e já apresentou um projeto de construção da sua arena com capacidade para 48 mil torcedores podendo ser ampliada para mais de 60 mil caso o timão pretenda que seu estádio receba a abertura da copa do mundo de 2010.  Belo dentro de campo e execrável na mídia, assim considero o Corinthians.
Não é de hoje que as grandes redes declaram seu amor por este clube. Minha opinião é que a TV, rádio, jornal, o veículo de comunicação que for, tenha acima de tudo imparcialidade, ao meu ver os jornalistas saem da faculdade sem ao menos saberem o significado desta palavra. No último domingo o Band Esporte Clube esgotou minha paciência com várias homenagens ao Corinthians em sequência. Poemas, músicas, imagens históricas fizeram parte do repertório. Não vejo problema em homenagear uma equipe importante do nosso futebol, só fico indignado com o tratamento dado aos outros. Flamengo (meu time do coração), Inter, São Paulo, Grêmio, Palmeiras, todos estes tem uma história mais bonita para contar, possuem títulos mais importantes no currículo, como Libertadores e Mundial Interclubes - mundial de verdade, não aquele organizado uma única vez pela FIFA que aconteceu em terras tupiniquins - nem assim recebem a mesma relevância na TV. Ontem na Band, alguém que não me recordo falou uma bobagem que de tão ridícula me fez rir :  "A torcida corinthiana é a cara do Brasil". Eu me pergunto : se a do Corinthians é a a cara do Brasil a do Flamengo, maior torcida do país, seria o quê? O Internacional é o único vencedor de todas as competições possíveis e ainda assim é mero coadjuvante na mídia nacional. O São Paulo, maior vencedor da Libertadores, Tri-mundial, também perde para o Corinthians em exibições de TV. Tudo isso é tão ridículo!
Para concluir, ontem no jogo Corinthians x Vitória o árbitro deixou de marcar um pênalti claro para o time baiano, afinal em dia de festa (O Corinthians estava jogando com seu novo uniforme para comemorar o centenário) é melhor o árbitro ficar na dele se não pode acabar apanhando da FIEL. O engraçado que a Globo em seus noticiários nacionais esqueceu de mencionar que a vitória de ontem por 2 x 1 teve forte contribuição da arbitragem, nem ao menos mostraram o lance. O brasileirão irá continuar e os árbitros continuarão errando em favor do Timão e a TV tentando nos transformar em corinthianos. É uma pena para eles, pois nós, torcedores de verdade, nunca esqueceremos das glórias obtidas por nossos clubes.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Gosto Pré-fabricado

A cultura do entretenimento me dá medo. Talvez o desejo de fugir da realidade seja tão grande que não encontram outro modo de viver a não ser com práticas fúteis. Isto surpreendentemente ocorre em todo mundo graças aos milhões de dólares investidos com o único propósito de infantilizar o ser humano, restringir a sua capacidade de pensar. Às vezes converso com alguns adolescentes e percebo a total falta de interesse por história, uma matéria de total importância para a formação de nossa consciência e percepção da vida. Meus argumentos são sempre os mesmos; não se conhece o presente nem se prevê o futuro se o passado estiver morto. O que vemos na TV, no cinema, na literatura, na música, é apenas uma reedição bem elaborada do famoso pão e circo praticado no Império Romano. Aquelas festas bem produzidas no São João com artistas de nível nacional no nordeste em cidadezinhas com moradores pobres, não seria simplesmente pão e circo?
Os jovens brasileiros são submetidos a lavagem cerebral e não resistem a ela, ou melhor, não querem resistir, foram ensinados a conviver com ela, a se sujeitarem a ela. A família não dá estrutura, a educação permanece precária e não temos nenhuma previsão de quando isso irá mudar. O ensino superior não forma seres humanos, apenas seres técnicos, pessoas especializadas em realizar trabalhos repetitivos e alienizantes. Não criamos barreiras para deter o implante de ideias promovido por esta sociedade de consumo, quem dera fosse tão difícil quanto no filme A Origem. Já vivemos com ideias germinadas, nossos gostos são pré-fabricados.
Os veículos de comunicação, as grandes redes, se aproveitam de nossa fragilidade e nos impõem produtos áudio visuais de qualidade duvidosa. O recente sucesso da franquia Crepúsculo, a estória de amor, na verdade, um triângulo amoroso entre um vampiro, uma garota e um lobisomem é uma demonstração da infantilidade de nossos adolescentes. Silvester Stallone se aproveitou das facilidades que teve para gravar neste país e soltou o verbo sobre o que acha do Brasil, ele adorou já que pode explodir tudo por aqui e  mesmo assim ser recebido de braços abertos. Acho que em toda a carreira dele como ator limitado nunca disse tamanha verdade. Os brasileiros ávidos por diversão e pancadaria estão correndo até as salas de cinema para conferir mais esta "superprodução". Essa busca de entretenimento exacerbada que aceita qualquer coisa como bom, ótimo, excelente, faz com que haja uma expansão para outras expressões artísticas. É triste chegar em uma livraria e ver todo o descuido com o meio ambiente, tanto gasto de papel para livros sobre vampiros, bruxos, biografias bestas de pessoas sem importância, entre outras inutilidades.
Para continuar a terrível queda no abismo da idiotice, falar de música me dá até dificuldade de me expressar, entretanto, é um dever de todos que tenham uma consciência mais limpa, tentar mostrar o que se passa com essa massa insipída, mesmo podendo ofendê-las que não é o caso e sabendo que nada dito aqui terá resultado, pois dificilmente uma pessoa irá se convencer que é feita de idiota o tempo inteiro e não tem individualismo. A música produz uma terrível injustiça. Enquanto milhares de pessoas continuam com seus trabalhos tristes e repetitivos, financiam uma minoria de "artistas" sem nenhum talento perceptível e com composições medonhas ou até mesmo sem criatividade. É o caso do atual queridinho das adolescentes, Luan Santana, um garoto sem talento, originalidade que como Marilia Gabriela disse, já tem um público tão eufórico quanto o dos Beatles. Outro sucesso, um tal de Justin Bieber, líder em vendas de CD's por aqui. Por favor não se esqueçam do Rebolation. De um lado o protótipo do garoto branquinho, "lindinho" do outro um negro "musculoso". São esses os nossos astros , nossos fenômenos.
Sempre fui uma pessoa critica e é cometendo erros que se aprende. Há alguns meses comecei a descarregar da internet episódios da série Arquivo X, assistia sempre na minha adolescência. São 9 temporadas, 202 episódios, 148 horas perdidas com o nada. Depois que vi a quantidade de horas perdidas fiquei indignado comigo mesmo. O que eu poderia ter feito de melhor nessas 148 horas? Com certeza muitas coisas, mas é isso que a indústria do entretenimento quer para todos nós, transformar um por um em sombras. Um dia vamos parar e observá-la e nossa sombra destroçada será apenas um lampejo de humanidade.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Paixão Abalada

No último grande prêmio da F1 realizado na Alemanha nós presenciamos como o esporte tem se tornado apenas uma indústria onde o que importa é o dinheiro que se ganha. Infelizmente quem paga a conta somos nós míseros telespectadores que ficamos passivos a tudo isso na frente da TV e pior ainda para aqueles que gastam seu dinheiro para ver uma palhaçada como aquela.  Eu me considero um apaixonado pela F1, às vezes até extrapolo esta paixão a ponto de tentar convencer algumas pessoas que não se interessam pelo esporte, como o automobilismo é emocionante. Mas gostar de F1, Indy, Moto GP, enfim, não se aprende assim, vem da infância, acompanho a F1 desde pequeno, e vi, quem sabe, o último fragmento do automobilismo brasileiro se chocar na curva Tamburello em Imola, 1994. Ayrton Senna morreu e todos os brasileiros esperavam por outro ídolo que nunca chegou. O interesse de muitos se esvaiu e os fatos que ocorreram com Rubens Barrichello só contribuíram para a queda da audiência. Ainda assim, temos muitos viciados em F1, suportamos Galvão Bueno aos domingos, já que gostamos tanto do esporte, porém, nós telespectadores, mais uma vez fomos traídos, pela ganância de uma equipe e também pela falta de fibra de um piloto brasileiro, mais uma vez, mais uma vez. Depois do que houve com Rubens, após a aposentadoria de Schumacher, imaginei que atitudes como essa nunca voltassem a acontecer, até porque a polêmica de 2002 gerou uma nova regra proibindo o jogo de equipe, o que para a indignação de todos, se repetiu em Hockenheim.
Quando vi Felipe Massa chegar a Ferrari, pensei em finalmente o Brasil conquistar um título, mas o que eu vi foi um finlandês sendo campeão, logo depois, um título perdido graças a vários erros da escuderia e por fim, desde o início deste ano, já sabia que Massa se tornaria apenas o segundo piloto. É tão óbvia a diferença entre Massa e Alonso, não há como discutir. Alonso é superior a Massa, mais agressivo, mais rápido e consegue trazer a equipe para o seu lado.  A Ferrari começou a temporada 2010 dando indícios de fazer um bom campeonato, mas o rendimento foi caindo constantemente. Alonso soube aproveitar vários momentos para mostrar seu talento com um carro inferior aos demais. E onde ficou Massa? Sempre um problema aqui, outro ali, justificava o estilo de pilotagem etc., tomou um verdadeiro baile do espanhol. A diferença de pontos entre os dois foi o que originou a palhaçada do último domingo.
De certa forma é compreensível a atitude da Ferrari, está pensando nos pontos no mundial de construtores e dando maior suporte ao piloto que tem mais chances de conquistar o título. Ainda assim, mesmo com o histórico de Massa de ajudar Räikkönen em 2007 e ser ajudado em 2008, a Ferrari manchou o esporte, desrespeitou os fãs da categoria, não permitiu um duelo na pista e principalmente, infringiu a regra da FIA. Foi multada, mas o que US$ 100 mil representam para a Ferrari? Nada! A Fórmula 1 parece a política brasileira, onde tudo acaba em pizza. É pouco provável que algo aconteça com a Ferrari, a FIA deveria desclassificar ambos os pilotos e dar voz ao torcedor.  O torcedor quer ver ultrapassagens e por que não entre companheiros de equipe? Os “pegas” entre Hamilton e Button, Vettel e Webber são um ingrediente a mais para esta temporada.  Uma boa disputa é o que todos querem ver para manter intacta a chama do amante do automobilismo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Copa do Mundo 2010. Como foi chata!

Mais uma copa está chegando ao final. Não sou nenhum especialista em futebol nem ao menos um aspirante a redator de uma teoria da conspiração. Mas aproveito este espaço para dar minha humilde e sincera opinião. Antes mesmo da copa eu já achava que seria em sua maioria chata, com equipes preferindo a defesa ao ataque. Foi o que ocorreu em 2006 com o título da medíocre Itália, que repetiu a mediocridade nesta copa, mas que dessa vez saiu logo na primeira fase. A vice - campeã França sem renovação e garantida na copa graças a um gol irregular, simplesmente horrorosa. O English Team também deixou a desejar. Os grandes craques, Kaká, Rooney, Cristiano Ronaldo, Messi, não mostraram o mesmo futebol desempenhado em seus clubes, resumindo uma copa fraca em se tratando de habilidade e emoção, onde em vários jogos a grande estrela foi a Jabulani. A copa nem ao menos tinha começado e alguns já apontavam a Espanha na final como fez Zidane. Todos sabem que o atual time espanhol joga muito bem, mas muito de seu futebol ficou perdido neste mundial, não fez grandes apresentações como se esperava. O Brasil mesmo sem Ganso e Neimar tinha plenas condições de estar na final até mesmo devido o atual nível das rivais, é só lembrar o primeiro tempo contra a Holanda. Falando da laranja, a mesma possui bons jogadores, mas não fez boas apresentações. Agora a surpresa, a seleção alemã que chegou à copa destruindo seus adversários, goleada na Austrália, Inglaterra e Argentina, sem dúvida o melhor futebol apresentado nesta copa. Chega à semifinal contra a Espanha e deixa 11 jogadores atrás da linha do meio de campo e com festival de passes errados, isso quando conseguia ficar com a bola dominada. Sem dúvida uma apresentação muito estranha, que lembrou muito o Brasil no segundo tempo com a Holanda, com a diferença de que foi assim o jogo inteiro. Definitivamente Holanda e Espanha não apresentaram até o momento futebol para estar na final de uma copa do Mundo, contudo, vejo esta decisão como a Final dos sonhos da FIFA, uma final inédita entre seleções nunca antes vencedoras de um mundial. Muitos por aí dizem que o Brasil “se vendeu” contra a Holanda, seguindo este raciocínio, a Alemanha abriu as pernas para Espanha. Meus parabéns não serão nem para Holanda e muito menos para Espanha, nesta copa, a equipe que mostrou raça e lutou até o final foi o Uruguai, desclassificado inclusive com um gol irregular holandês. Bem vinda de volta ao grupo das melhores CELESTE e que o hexacampeonato seja do Brasil em 2014!

terça-feira, 8 de junho de 2010

UMA BREVE VISÃO SOBRE TELEJORNALISMO/SHOW ESTRELANDO: SE LIGA BOCÃO E NA MIRA.

A partir do texto “Quem o Jornal do SBT pensa que somos? Modo de endereçamento do telejornalismo show” desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa de Análise de Telejornais/UFBA, surgiu a base para o desenvolvimento dessa pequena crítica destinada aos programas que no momento fazem sucesso na TV baiana no horário de almoço, os populares Se Liga Bocão e Na Mira, comandados por “Zé” Eduardo e Uziel Bueno respectivamente. O tema aqui abordado será as características que fazem com que o público se identifique com os programas citados.
Não é necessário que a TV veicule imagens pesadas para o público saber o caos da cidade de Salvador. Todos os dias a violência mostra a sua face sendo a maior parte dos fatos relacionado ao tráfico de drogas. Infelizmente alguns jornalistas precisam obter reconhecimento e audiência, isso faz com que os mesmos corram atrás dos fatos mais miseráveis da sociedade para expor aos seus espectadores. É isso que ocorre no Se Liga Bocão e no Na Mira. Para começar observa-se os apresentadores. De um lado Zé Eduardo colocando-se como o defensor do povo e do outro Uziel Bueno como o caçador de delinqüentes. Cada um deles com seu estilo próprio e um único objetivo, a simpatia do telespectador. Zé Eduardo se apresenta chocado com os acontecimentos, berra sem nenhum pudor, Uziel aparece sempre de preto e além de gritar põe a voz em tom gutural para chamar mais atenção. O conteúdo dos programas são os mesmos, a criminalidade nua e crua com a exposição dos cadáveres, familiares aos prantos, policiais querendo seus quinze minutos de fama, é a imagem da miséria dessa triste sociedade. No texto sobre o jornal do SBT encontra-se o conceito de Modo de endereçamento: “aquilo que é característico das formas e práticas comunicativas específicas de um programa, diz respeito ao modo como um programa específico tenta estabelecer uma forma particular de relação com sua audiência”. Isso prova que os apresentadores não passam de seres performáticos, pois tudo o que fazem é apenas para envolver o público no drama e no caos da notícia e assim manter os telespectadores atentos.
O cenário do Na Mira é algo bem chamativo composto por alvos, marcas de impressões digitais, no geral é um programa bem mais “assustador” que o Se Liga Bocão. No Na Mira o objetivo é mostrar que ali é o lugar onde os delinqüentes serão julgados, é o ambiente onde a violência vai ser revelada, com as palavras do próprio Uziel Bueno: “Tem o céu, o inferno e o Na Mira no Meio”. No programa de Zé Eduardo o conteúdo das reportagens é o mesmo mais a imagem que é transmitida ao telespectador é outra, o cenário tenta mostrar que o Se Liga Bocão é o lugar do povo, onde ele se sentirá bem protegido, é composto por cores chamativas,o vermelho e amarelo e possuí fotos da cidade.
As reportagens são realizadas por jornalistas de pouca credibilidade nunca antes vistos por trabalhos de qualidade, geralmente saem em “comboio” com a polícia para adentrar os becos da periferia da cidade a procura de delinqüentes. A informação já seria transmitida de forma satisfatória só pelas imagens, porém como em todos os dias as mesmas coisas são vistas é necessário a figura do narrador, este tenta manter a tensão a todo o momento, o importante é criar expectativa, o ápice sempre ocorre nos tiroteios quando o repórter grita “tiros, tiros”. Quando não estão nos pontos mais perigosos da cidade, eles se encontram nas delegacias a procura dos presos recentes, é simplesmente um massacre o que acontece. Os presos são humilhados, não possuem o direito de dar sua versão da história, ao contrário, os jornalistas em questão fazem de tudo para que confessem. O caso é tão assustador que em uma das edições do Se Liga Bocão o apresentador foi “obrigado” a pedir desculpas, pois descobriu-se que um dos “culpados” anunciado no dia anterior na verdade era inocente. Eles tentam fazer o papel da justiça, na verdade, desempenham o papel que o telespectador queria atuar. O showzinho é todo desenhado principalmente nos casos mais dramáticos onde os apresentadores não “suportam o que aconteceu, sentem as dores das vítimas”. Soltam palavras inflamadas de puro ódio para milhares de pessoas e incitam a violência, nessa hora percebe-se a “bela” atuação deles quase derramando lágrimas quando a população resolve fazer justiça com as próprias mãos. No Se Liga Bocão além de expor a violência, se envolve em contenda de vizinhos com a desculpa de ser utilidade pública.
Em “Quem o jornal do SBT pensa que somos” há o tópico “o pacto sobre opapel do jornalismo. Nele é exposto os pactos que são realizados com antecedência para criar a identificação do público e dar cara ao programa. Três pactos são apresentados: vigilância, conversação social e entretenimento. No primeiro, o programa jornalístico quer transmitir uma imagem investigativa, o segundo através das apresentações dos fatos objetiva formar opiniões e o último é mais encontrado no jornalismo temático como crítica de cinema, esportes, etc. O texto deixa bem claro que geralmente um pacto é majoritário porém não impede que outro apareça e para isso deu o exemplo do Jornal Nacional que possui o pacto de conversação social como o seu método primordial, contudo sempre apresenta reportagem denúncia, característica do primeiro pacto. Ainda há os casos dos programas híbridos e foi dessa forma que o jornal do SBT foi classificado. O Se Liga Bocão e o Na Mira também são híbridos. Os pactos de vigilância e conversação social são perceptíveis, além deles é inegável o uso do entretenimento - a que ponto o jornalismo chegou, um programa que expõe violência real gerar diversão – com o uso de prêmios e apresentações musicais.
No inicio deste texto a violência na capital baiana foi abordada. Isso exemplifica outra característica dos programas em questão. A comunicação não se dá por si só, existem dois agentes essenciais, o emissor e receptor, além deles encontramos o ruído. Para que o receptor aceite e compreenda a mensagem é preciso que o emissor realize a transmissão na mesma freqüência do receptor, o ruído é tudo aquilo que possa atrapalhar a comunicação, ou seja, para que este ciclo se complete no Se Liga Bocão e Na Mira o ambiente e os acontecimentos devem ser aproveitados ao máximo só assim a mensagem será criada e transmitida adequadamente. Eles executam esta premissa básica muito bem. 
Em uma das edições do Se Liga Bocão estava sendo exibidas imagens de um acidente envolvendo um motociclista e um ônibus, tudo gravado pela câmera de um aparelho celular. O motociclista infelizmente acabou em baixo de uma das rodas do ônibus, após a exibição, aparece Zé Eduardo chocado com a cena realizando mais uma ótima atuação, logo depois ele diz: “se você também tiver um vídeo interessante mande para nós”. Ele classificou o motociclista esmagado como algo interessante para ser vinculado. É estranho pensar até onde pode ir à mente humana, porém isso fugiria do tema aqui abordado. A situação descrita acima é outro exemplo de como há sintonia entre apresentadores e público. Através da evolução tecnológica se tornou mais fácil a produção de produtos áudio visuais. A partir de uma simples câmera de celular os telespectadores podem se sentir mais próximos de seus programas favoritos e ainda simplificam o trabalho dos jornalistas.
Depois da breve exposição dos fatos fica fácil definir o perfil do público desse telejornalismo/show. São pessoas de baixa renda, com pouca escolaridade que não sabem distinguir uma produção de qualidade e o principal, estão assombrados com a criminalidade em Salvador. São cidadãos que gostariam de estar no papel desses jornalistas, entrevistando, “culpando” os acusados, os seres malignos criados pela sociedade que os cerca. Eles não imaginam, mas devido a todos os fatores econômicos e culturais, poderiam ser eles ali, expostos a humilhações, por algum motivo, sorte ou força de vontade não se transformaram naquilo, combatem com unhas e dentes e usariam da violência caso fosse preciso. São esses os telespectadores do telejornalismo/show.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Germinal



Provavelmente muitos já devem ter assistido Germinal. Para aqueles que ainda não viram, que este post sirva como dica. Germinal é um filme francês de 1993 e muito, muito bom. Retrata como funciona a máquina capitalista, a exploração do trabalho. A história se passa no século XIX e mostra a vida de alguns trabalhadores das minas de carvão que ao perceberem o poder que possuem unidos, resolvem lutar por seus direitos, melhores salários e condições de trabalho, essas coisas que são reivindicadas até hoje e parecem não ter solução. Algumas cenas expõem até onde pode chegar o ser humano na busca pelo lucro e pior ainda o que uma pessoa pode fazer quando não há mais nada a perder. Muito do que é visto no filme está ocorrendo na China que está se tornando – a meu ver já é; não sei por que insistem em chamá-lo de emergente, já é uma realidade, o maior investidor na América Latina – uma grande potência mundial capitalista disfarçada de comunista. Um país onde o número de mortes em  acidentes de trabalho é o maior do mundo, 83 mil por ano. Para quem não liga para isso, não tem problema, é um filme que merece ser visto de qualquer forma levando em consideração as belas atuações e história emocionante.